Segunda-feira, Dezembro 12, 2005

isto hoje vai sair assim

Pois é minha gente. Está a ser levada uma reestruturação no sistema público de saúde em Portugal (reestruturação é o eufemismo que utilizam, na verdade vão é dar cabo do sistema e, muito provavelmente, acabar com o sistema de saúde tendencialmente gratuito). O actual sistema tem o seguinte esquema: Ministério da Saúde ---> Administrações Regionais de Saúde (serviços de nível regionais)--->Sub-Regiões de Saúde(serviços de nível distrital)--->Centros de Saúde(contacto directo com o utente). A ideia deles é acabar com as Sub-Regiões de Saúde e tornar os Centros de Saúde independentes e privados. É claro que fica a pergunta: e o que é que se faz com os funcionários? Fácil, atiram-se milhares de pessoas para o quadro de excedentes e depois eles que celebrem contracto com os novos Centros de Saúde. Contractos individuais e trabalho evidentemente. A propósito, não sei se sabem mas a equipa que está a tratar disto tem membros que já estão a montar sociedades particulares para gerirem os novos centros de saúde (toca a cuidar do que é nosso e os outros que se arragem). Há por aqui muita gente com medo do futuro e do que este lhes reserva. Falando pela minha parte fica aqui declarado: medo? nunca o tive na vida e não é agora que vou começar mas...mas é bom que eu não fique chateado,porque um gajo como eu chateado vai criar muitos sarilhos. Como dizia um velho mestre de espionagem, general alemão encarregado por Konrad Adenauer a organizar os serviços de inteligência da República Federal Alemã no pós guerra: não é de bom senso deixar um cromossoma Y, dotado e furioso, a agir inconsequentemente; seria o mesmo que soltarmos uma raposa num galinheiro.

Terça-feira, Novembro 08, 2005

coisas

Esta coisa do ataque encapotado aos funcionários públicos está a deixar-me chateado, e não é pelo facto de ser funcionário público mas pelo facto de ser encapotado. O objectivo não é mudar para melhor, é fazer com que interesses privados tenham acesso actividades que são do domínio público. Para isso é utilizada uma estratégia com consiste em esconder os dados verdadeiros e depois usar o discurso de forma a que as pessoas formem opiniões baseadas nos dados que, quem está por detrás desta estratégia, sugere. Claro que não há nenhuma mentira óbvia, só a sugestão. Para começar quando dizem que há 700 ou 800 mil funcionários públicos, sem mais nenhuma informação relativa, "esquecem" de dizer e explicar que, aquilo a que a população em geral costuma designar como o funcionário público comum, o funcionário administrativo da administração central, são só cerca de 100 mil e, por causa disso o estado é obrigado a ter mais 40 mil de contractados a prazo. O que não é dito é que o resto dos funcionários (e não é nunca destrinçado quantos estão na administração central e quantos estão na administração local) que estão na administração central são enfermeiros, médicos, professores, polícias, militares, técnicos, étc. A isto não deverá ser estranho o interesse de grandes grupos económicos no sector da saúde. E a propósito: já alguém fez um estudo comparativo, entre hospitais de gestão pública verso hospitais de gestão pública, da percentagem de doentes entrados nos serviços de urgência que acabam por morrer (evidentemente os que pertencem ao regime geral e não têm caros seguros de saúde). Penso que há respostas que estão à vista e uma delas é a de que a única redução que poderá ser feita é a nível de médicos, enfermeiros e professores com os resultados daí recorrentes. Sim, porque se pensam que aqueles altos quadros, com vencimentos de milhares de euros por mês, estão em risco tirem daí a ideia. Na familia não se toca.

Segunda-feira, Outubro 31, 2005

navegar é preciso

Umas das coisas que gosto de fazer, quando tenho tempo, é navegar na blogosfera. Visito um blogue e sigo um link para outro blogue que lá está. Assim tenho visitado e descoberto muitos blogues interessantes que depois acabo por perder a referência e a não voltar lá, ou voltar só por acaso numa outra ocasião seguindo um outro link. Tenho de encontrar maneira de gravar os links que considero interessantes para lá voltar mais tarde.

Terça-feira, Outubro 18, 2005

pensar

Que dimensão humana explica o desastre emocional de uma rejeição? Como explicar o que se sente se não nos entendemos dentro de nós mesmos? Olhar ao espelho e reconhecer o rosto não é tudo pois um livro não se aprecia pela capa. Não importa o Outono, o cair da folha, importa o tempo que faz dentro de nós, as expectativas goradas, caídas nas calçadas da vida e pisadas por quem passa sem sequer reparar no que está a pisar. Olha. Ali. Na esquina. São nove da manhã e está um bêbado a cantar. É feliz.

Quarta-feira, Outubro 12, 2005

Não há pachorra

É pá, eu já não consigo ir à bola com esta gaja. Passa dois terços do tempo a mandar e receber emails de amigos e a falar da vida particular, do irmão que é polícia militar, do pai que é isto e aquilo e depois diz que não tem tempo para o trabalho. Chissa! Então desde que fez a tatuagem no fundo das costas com o nome em árabe está insuportável a mostrá-la a torto e a direito. Este tipo de gajas esquece-se que o facto de serem bonitas não é tudo, não vale tudo. São meio ocas por dentro e a imagem que têm de si é o mais importante que têm. E depois ainda tem a lata de dizer à outra miúda que se desunha a trabalhar que gostava de ganhar como ela pois ganha como uma reles administrativa. É que já não há pachorra para esta gaja!

Segunda-feira, Outubro 10, 2005

rescaldo das eleiçoes

Grande crítico do actual governo americano e do nível de corrupção existente na Administração Americana, vejo-me "embatucado" com a vida política portuguesa ao nível autárquico. Homem de esquerda, crendo no sistema democrático como o melhor sistema, como é que eu poderei explicar e aceitar que este povo que "deu novos mundos ao mundo", este povo que em muitas situações demonstra que a paixão mora no seu coração, como no caso do apoio à população de Timor na sua luta pela independência, elega gente como Fátima Felgueiras, Valentim Loureiro e Isaltino Morais. Sei lá...poderei pedir asilo político aos marcianos? Não marcianos não! Prefiro pedir asilo às Venusianas.

Quinta-feira, Outubro 06, 2005

ainda as eleições

Então vocês sabem que alguns dirigentes de organismos públicos, colocados no cargo pelo partido, vão ajudar nas campanhas aos fins-de-semana e feriados? Levam o carro e motorista do organismo que gerem com salário dobrado por ser fim-de-semana ou feriado. Eu sei que os outros faziam o mesmo mas, se me desculpam a frase, se a merda é a mesma que raio é que me interessa que as moscas sejam outras.
Um amigo meu contou-me que esta semana recebeu pelo correio as listas, com fotografias, de dois partidos que concorriam para a assembleia municipal. O rapaz tinha-se deitado às quatro da matina bem bebido de maneira que ao meio-dia quando vai buscar o correio e se lhe depara aqueles conjuntos de faces nos panfletos ele julga por momentos que é um aviso da polícia para se ter atenção a essas faces por serem terroristas que podiam estar a preparar algum atentado. O rapaz lá telefonou para a PSP e PJ a dar indicações e as respostas deixaram-no um bocado em baixo. Nem foi as frases do tipo "ò homem você está é bêbado", "mas está a gozar connosco ou quê?" ou "se isto é uma brincadeira eu próprio lhe arreio com o cassetete" que o deixaram triste. Foi o olhar para as mesmas fotografias no dia seguinte, já sem influências etílicas, e continuar a achar que aqueles gajos continuavam com cara de terroristas.

alterações aos comentários

Já fiz alterações no sistema de comentários. Em princípio qualquer pessoa pode, agora, comentar neste blogue. Só espero que resulte.