Terça-feira, Novembro 08, 2005

coisas

Esta coisa do ataque encapotado aos funcionários públicos está a deixar-me chateado, e não é pelo facto de ser funcionário público mas pelo facto de ser encapotado. O objectivo não é mudar para melhor, é fazer com que interesses privados tenham acesso actividades que são do domínio público. Para isso é utilizada uma estratégia com consiste em esconder os dados verdadeiros e depois usar o discurso de forma a que as pessoas formem opiniões baseadas nos dados que, quem está por detrás desta estratégia, sugere. Claro que não há nenhuma mentira óbvia, só a sugestão. Para começar quando dizem que há 700 ou 800 mil funcionários públicos, sem mais nenhuma informação relativa, "esquecem" de dizer e explicar que, aquilo a que a população em geral costuma designar como o funcionário público comum, o funcionário administrativo da administração central, são só cerca de 100 mil e, por causa disso o estado é obrigado a ter mais 40 mil de contractados a prazo. O que não é dito é que o resto dos funcionários (e não é nunca destrinçado quantos estão na administração central e quantos estão na administração local) que estão na administração central são enfermeiros, médicos, professores, polícias, militares, técnicos, étc. A isto não deverá ser estranho o interesse de grandes grupos económicos no sector da saúde. E a propósito: já alguém fez um estudo comparativo, entre hospitais de gestão pública verso hospitais de gestão pública, da percentagem de doentes entrados nos serviços de urgência que acabam por morrer (evidentemente os que pertencem ao regime geral e não têm caros seguros de saúde). Penso que há respostas que estão à vista e uma delas é a de que a única redução que poderá ser feita é a nível de médicos, enfermeiros e professores com os resultados daí recorrentes. Sim, porque se pensam que aqueles altos quadros, com vencimentos de milhares de euros por mês, estão em risco tirem daí a ideia. Na familia não se toca.